Sinceridade

Gostaria de falar esta semana sobre a virtude da sinceridade.

Alguém, com humor um tanto pessimista, dizia que a mentira é um esporte tão amplamente praticado que bate de longe todos os demais e cada dia adquire técnicas e requintes de maior envergadura.

Opinião semelhante era a do escritor que há anos deixou estampados estes comentários: “Mente-se por palavras, mente-se por atos, mente-se por atitudes, mente-se por escrito, mente-se pelo silêncio, mente-se pelas curvaturas da espinha dorsal, mente-se pelo olhar, mente-se nas ruas, nas vitrines, nos negócios, nas escolas, nas assembleias, nas reuniões, mente-se despudoradamente” (G. Chaves de Melo).

E dizia também: “Há as mentiras de conveniência, as mentiras diplomáticas, as mentiras administrativas, as mentiras de defesa, as mentiras profissionais, as mentiras engenhosas, as mentiras oficiais, as mentiras vitais” (G. Chaves de Melo).

E poderia ainda acrescentar: há as mentiras dos políticos, as mentiras do marido, as mentiras da esposa, as mentiras dos “suposto” amigo, as mentiras dos jornais, as mentiras do sócio, as mentiras do profissional que você contratou para fazer um serviço, etc, etc.

A  mentira é sinal claríssimo da degradação do mundo e quando somos vítimas dela, perdemos verdadeiramente a alegria de viver! A cada mentira que padecemos:
– perdemos a fé de que possa haver bondade no mundo;
– perdemos a confiança nos homens;
– temos a vontade de viver o “salve-se quem puder”.

Jamais gostaríamos de viver num mundo mentiroso!

Neste sentido, tenho sido uma pessoa sincera?

A palavra sinceridade vem de “sine cera”, sem cera. Sua origem vem das esculturas antigas que eram talhadas em pedra dura e inevitavelmente ficavam umas falhas aparentes. O que faziam então? Passavam cera para encobrir as falhas.

Neste sentido, tenho sido uma pessoa límpida, transparente, que não encobre as falhas, cujo falar é, como dizia Cristo, “sim, sim”, “não, não”?

Neste sentido é importante saber, também, por que mentimos. Mentimos:
– por covardia: pelo medo de enfrentar a verdade, para não ter que arcar com as suas conseqüências ou para não ter que defendê-la;
– por vaidade: para não ficarmos mal diante dos outros ou, pelo contrário, para melhorar ainda mais a nossa imagem, exagerando os fatos;
– por interesse egoísta: para obter vantagens, estreitar relações convenientes, galgar posições, lucrar nos negócios ou fugir aos deveres penosos.

Façamos o propósito:
– de sermos muito sinceros! A doutrina cristã nos ensina que não há nenhuma razão que justifique a mentira, por menor que seja, devido aos males que dela provém a curto ou a longo prazo;
– de sermos pessoas “de toda a confiança”!
– de odiar a mentira, como nos convida o livro dos Provérbios: o Senhor odeia a língua mentirosa (Prov 6, 17).

A sinceridade é fonte de paz! Sendo sinceros experimentaremos a presença de Cristo no nosso coração e experimentaremos o que diz aquele famoso refrão: “o sono dos justos”.

Uma santa semana a todos!

Pe. Paulo.

Sobre o autor