Catequese sobre a oração – II: a oração de Abraão

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “a oração de Abraão”.
 
Seguimos com a catequese do Papa Francisco sobre a oração.
 
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Há uma voz que ressoa repentinamente na vida de Abraão. Uma voz que o convida a enveredar por um caminho que parece absurdo: uma voz que o impele a desarraigar-se da sua pátria, das raízes da sua família, para partir rumo a um novo futuro, um futuro diferente. E tudo com base numa promessa, na qual é necessário apenas confiar. E confiar numa promessa não é fácil, é preciso ter coragem. E Abraão confiou.
 
A Bíblia nada diz sobre o passado do primeiro patriarca. A lógica da situação sugere que ele adorava outros deuses; talvez fosse um homem sábio, acostumado a perscrutar o céu e as estrelas. Com efeito, o Senhor promete-lhe que os seus descendentes serão tão numerosos como as estrelas que pontilham o céu.
 
E Abraão parte. Ouve a voz de Deus e confia na sua palavra. Isto é importante: confia na palavra de Deus. E com essa sua partida nasce um novo modo de conceber a relação com Deus; é por esse motivo que o patriarca Abraão está presente nas grandes tradições espirituais judaica, cristã e islâmica como homem de Deus perfeito, capaz de se submeter a Ele até quando a sua vontade se revela árdua, ou incompreensível.
 
Lendo o livro do Gênesis, descobrimos que Abraão viveu a oração em fidelidade incessante àquela Palavra, que periodicamente se manifestava ao longo do seu caminho. Em síntese, podemos dizer que na vida de Abraão a fé se faz história. A fé faz-se história! Aliás, com a sua vida, com o seu exemplo, Abraão ensina-nos esse caminho, esse itinerário em que a fé se faz história. Deus já não é visto unicamente nos fenômenos cósmicos, como um Deus distante que pode incutir terror. O Deus de Abraão torna-se o “meu Deus”, o Deus da minha história pessoal, que orienta os meus passos, que não me abandona; o Deus dos meus dias, o companheiro das minhas aventuras; o Deus da Providência. Pergunto-me e pergunto-vos: temos essa experiência de Deus? O “meu Deus”, o Deus que me acompanha, o Deus da minha história pessoal, o Deus que guia os meus passos, que não me abandona, o Deus dos meus dias? Temos essa experiência? Pensemos nisso!
 
«A oração de Abraão exprime-se, antes de mais nada, em atos: homem de silêncio, constrói em cada etapa um altar ao Senhor» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2.570). Abraão não edifica um templo, mas espalha pelo caminho pedras que recordam a passagem de Deus (…).
 
Assim, Abraão familiariza-se com Deus, é capaz até de discutir com Ele, mas sempre fiel. Fala com Deus e discute. Até a suprema provação, quando Deus lhe pede que sacrifique precisamente o filho Isaac, o filho da velhice, o único herdeiro. Aqui Abraão vive a sua fé como um drama, como se caminhasse às apalpadelas na noite, sob um firmamento desta vez sem estrelas. E com frequência também nós caminhamos na escuridão, mas com fé. O próprio Deus deterá a mão de Abraão, já pronta para ferir, porque viu a sua disponibilidade verdadeiramente total (cf. Gn 22, 1-19).
 
Irmãos e irmãs, aprendamos de Abraão, aprendamos a rezar com fé: ouvir o Senhor, caminhar, dialogar, até discutir com Deus. Não tenhamos medo de discutir com Deus! Direi também algo que parece heresia. Muitas vezes ouvi dizer: “Sabes, isso aconteceu comigo e zanguei-me com Deus” — “Tiveste a coragem de ficar zangado com Deus?” — “Sim, zanguei-me!” — “Mas essa é uma forma de oração”. Pois só um filho é capaz de se zangar com o pai e depois voltar a encontrá-lo. Aprendamos de Abraão a rezar com fé, a dialogar, a discutir, mas sempre dispostos a aceitar a palavra de Deus e a pô-la em prática. Com Deus, aprendamos a falar como um filho com o seu pai: ouvi-lo, responder, discutir. Mas de forma transparente, como um filho com o pai. É assim que Abraão nos ensina a rezar. Obrigado!
 
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Uma santa semana a todos!!!
 
Padre Paulo M. Ramalho
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Padre Paulo M. Ramalho – Sacerdote ordenado em 1993. Cursou o ensino médio no colégio Dante Alighieri. Engenheiro Civil formado pela Escola Politécnica da USP; doutor em Filosofia pela Pontificia Università della Santa Croce. Atende direção espiritual na igreja Divino Salvador, Vila Olímpia, em São Paulo.


Sobre o autor