
Gostaria de falar desta vez sobre a Páscoa.
A humildade é uma virtude admirada por todos, mas pouco vivida na prática. Um dos motivos é porque o defeito contrário, a soberba, não é fácil de ser percebida. Assim como a preguiça salta à vista, a gula é patente a muitos olhos, a impaciência logo se percebe, a soberba é oculta aos olhos do vulgo.
Mas os santos, na sua imensa sabedoria, nos ajudam a identificá-la (preparem-se, pois seremos bombardeados por todos os lados):
“Deixa-me que te recorde, entre os outros, alguns sinais evidentes de falta de humildade:
– pensar que o que fazes ou dizes está mais bem feito ou dito do que aquilo que os outros fazem ou dizem;
– querer levar sempre a tua (idéia, opinião) avante;
– discutir sem razão ou – quando a tens – insistir com teimosia e de maus modos;
– dar o teu parecer sem que te peçam, ou sem que a caridade o exija;
– desprezar o ponto de vista dos outros;
– não encarar todos os teus dons e qualidades como emprestados; (…)
– citar-te a ti mesmo como exemplo nas conversas;
– falar mal de ti mesmo, para que façam bom juízo de ti ou te contradigam;
– desculpar-te quando te repreendem;
– ocultar ao (superior) algumas faltas humilhantes para que não perca o conceito que faz de ti;
– doer-te de que outros sejam mais estimados do que tu;
– negar-te a desempenhar ofícios inferiores;
– procurar ou desejar singularizar-te;
– insinuar na conversa palavras de louvor próprio ou que dêem a entender a tua honradez, o teu engenho ou habilidade, o teu prestígio profissional…;
– envergonhar-te por careceres de certos bens…” (S. Josemaria Escrivá, Sulco, n. 263).
Duas marcas registradas do soberbo: a teimosia (geradora de inúmeras e inúmeras discussões) e criar caso.
A pessoa humilde não é teimosa, não discute, a não ser em raríssimas ocasiões quando o que está em jogo é algo muito sério e necessita ser resolvido naquela hora. Mas isto corresponde a, por assim dizer, um por cento dos casos de divergência de opinião.
O humilde sabe que existem inúmeras opiniões tão valiosas quanto à dele.
O humilde sabe que se alguém não está sendo razoável na sua opinião, o melhor a ser feito é buscar um momento para “dialogar com paz”, paz de ambas as partes, sobre o assunto em questão.
Por isso, o humilde é uma pessoa agradável para se conviver. Não cria caso. Sempre é possível chegar num acordo com ele. Viver ao seu lado é uma paz.
Também, apesar de reconhecer talentos enormes que Deus lhe deu, vê-se como um grande pecador. Por isso, perdoa fácil o próximo. Não guarda mágoas.
Eis aí algumas idéias para pensarmos sobre a virtude da humildade. Em outras ocasiões falaremos mais sobre ela. Mas penso que o que já disse é suficiente para fazermos um bom exame de como temos vivido esta virtude.
Termino dando uma dica de como crescer em humildade: aproveitar as pequenas “mancadas” de cada dia para reconhecer o nosso nada. Assim, iremos nos convencendo, pouco a pouco, do pouco que somos, apesar de termos, como já disse, talentos enormes dados por Deus.
Que Deus vos abençoe!
Pe. Paulo.