
Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “inimigos do diálogo no casal – VI: os sentimentos”.
Lembrando um pouquinho da antropologia humana, digo que a alma humana é composta de três elementos: inteligência, vontade e sentimentos. Nós, filósofos (além de ser sacerdote, sou doutor em filosofia), costumamos dizer que a alma humana é como um triângulo com uma ponta voltada para baixo. Nas pontas superiores estão a inteligência e a vontade; na ponta inferior, os sentimentos. Os sentimentos estão embaixo, pois a inteligência e a vontade são os elementos mais nobres da alma humana. Não cabe aqui nos aprofundarmos nesse tema, mas vamos partir desse pressuposto. Vendo as coisas dessa forma, vale dizer que uma pessoa que sabe dialogar é aquela que tem o domínio da parte superior da alma, sobretudo da inteligência, e não deixa que seus sentimentos atrapalhem o diálogo.
Quando as pessoas são dominadas pelos sentimentos ruins, como o sentimento de raiva, de indignação, de aborrecimento, de repulsa etc., elas têm a capacidade de diálogo destruída. O diálogo é algo eminentemente racional, e o que está em jogo são ideias e opiniões. Assim, é preciso saber colocar rédeas nos sentimentos para que o diálogo possa transcorrer serenamente. Por isso dizemos que o diálogo é próprio de pessoas maduras, pois uma pessoa madura sabe controlar os seus sentimentos ou, melhor ainda, foi aprendendo a educá-los.
Uma grande dica para controlar os sentimentos é nunca conversar quando eles estão à flor da pele. Infelizmente muitas pessoas querem falar, dialogar justamente nessa hora. Por exemplo, ao ver mais uma vez que o marido ou a mulher se esqueceu de fazer algo, deixar-se tomar por uma grande irritação, não se conter e começar a falar. Só que nessa hora não se fala, se esbraveja, e, dependendo da raiva, vêm xingamentos e ofensas que não só ferem o cônjuge como levam a perder toda a racionalidade. Assim, na hora da irritação, o que temos de fazer é calar-nos e rezar. Uma vez que estivermos mais serenos, aí sim será o momento propício para conversar.
Outra dica é ter muito presente que toda melhora do ser humano é um processo lento. Olhando para nós mesmos, vemos facilmente defeitos que estamos tentando corrigir há anos e praticamente não saímos do lugar. Se nós demoramos para melhorar, por que vamos exigir dos outros que melhorem rapidamente? Se sou consciente de que a melhora é um processo, e um processo lento, estarei armado de paciência ao ver os erros e falhas do cônjuge.
Com relação aos sentimentos, é importante também sermos conscientes de qual é o nosso temperamento, a nossa personalidade, pois as pessoas de temperamento mais sensível e menos racionais terão dificuldade para expressar as ideias e os problemas que estão acontecendo. Muitos casais têm dificuldade de entendimento por este motivo: porque um dos dois ou os dois têm a linguagem da emoção, o que impede, por sua vez, a linguagem da razão, que é fundamental para o diálogo. Quem é assim mais sensível precisa fazer um esforço para traduzir os sentimentos em ideias e ir para o diálogo com as ideias, deixando um pouco as emoções de lado.
Quando vemos a realidade da alma humana, nos damos conta de que é preciso uma grande educação dessa parte sensitiva, dos sentimentos, caso queiramos ser pessoas de grande capacidade de diálogo.
Aproveitemos para fazer algumas perguntas:
– quando dialogo, eu o faço com os sentimentos ou com a razão?
– sou uma pessoa estourada? Luto para ser mais calmo?
– evito falar na hora da raiva?
– sou consciente de que a melhora do ser humano é um processo lento na maior parte das vezes?
– peço ajuda a Deus antes de falar?
Uma santa semana a todos!!!
Padre Paulo